Cantar S. Paulo em Almada 02.05.2009. "São Paulo aos Coríntios" Música do maestro João Camacho

terça-feira, 14 de abril de 2009

Entrevista com o prof. Luís Pinto

Na sequência da publicação da entrevista com a nossa Ana Barrocas na edição em papel do bHUM deste bi-mestre, publica-se agora e de forma complementar a entrevista com o seu prof. de instrumento, o prof. Luís Pinto, que é também um dos directores pedagógicos do Conservatório Regional de Palmela.

Quem é o prof. Luís Pinto?
Essencialmente sou um indivíduo que se dedica ao seu ensino da música. Esta dedicação tem duas vertentes distintas. Uma é o ensino na sala de aula, o trabalho lectivo directo com os alunos, a transmissão de conhecimentos e de experiências musicais, não só aquelas que adquiri com os professores com quem tive o privilégio de estudar, mas também aquelas que, com o meu estudo e trabalho individual, fui desenvolvendo e acumulando ao longo da minha vida musical. Foram vários os professores que tive na minha formação artística, mas gostaria de salientar como professores de Piano, Tania Achot, Jorge Moyano, Miguel Henriques; de Música de Câmara, Olga Prats e de Composição, Álvaro Salazar e Joly Braga Santos. Foram para mim também muito importantes as master classes de piano que tive com os professores Sequeira Costa e Helena Sá e Costa.

Comecei a ensinar no ano lectivo de 1988/1989, no Centro Cultural do Palácio Anjos, em Algés, tendo ensinado posteriormente em diversas escolas: Academia de Amadores de Música, Conservatório Regional de Setúbal, Escola Profissional de Música e Artes de Almada, Conservatório Regional de Almada e ETIC, neste momento ensino na Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, onde pertenço ao Quadro de Nomeação Definitiva e como sabes no nosso conservatório aqui em Palmela.

A outra vertente a que me dedico é o trabalho na organização e desenvolvimento das escolas. Este “bichinho” começou em 1991 quando fui convidado pelo professor Carlos Franco para pertencer à Direcção da Escola de Música do Conservatório Nacional, com ele e com o professor Manuel Teixeira, cargo que ocupei durante 4 anos. Depois disso fui presidente da direcção da Academia de Amadores de Música, colaborei com a direcção da ETIC na implementação dos seus cursos de música e neste momento pertenço à direcção da Humanitária e colaboro com os professores José Condinho e Paulo Martins, da direcção pedagógica do nosso conservatório, na sua organização e no desenvolvimento do seu projecto.

Como começou a sua relação laboral com a Humanitária?
Comecei a ensinar neste conservatório no ano lectivo de 2002/2003. Eu era professor no Conservatório Regional de Almada, que encerrou no ano lectivo anterior e deixou muitos alunos com dificuldades para poderem prosseguir os seus estudos, assim como vários professores, como eu, que ficaram sem essa escola. Uma alternativa possível para resolver estes problemas era o Conservatório Regional de Palmela que tinha iniciado a sua actividade poucos meses antes e que tinha vagas. Eu conhecia muito bem os professores Fernando Pavão e Susana Silva, que juntamente com o professor José Condinho (que na altura ainda não conhecia) constituíam a direcção pedagógica do conservatório, telefonei ao Fernando Pavão em Setembro de 2002 e comecei ainda nesse mês.

Que importância considera que tem o conservatório para esta região?
Este conservatório veio colmatar uma ausência em Palmela, região de fortes tradições musicais, que não tinha uma escola de música com o ensino reconhecido pelo Ministério da Educação. Os alunos eram obrigados, aqueles que tinham condições para o fazer, a deslocarem-se para outras cidades para poderem ter uma formação deste tipo, com todos os prejuízos que estas deslocações acarretam, de percas de tempo, de cansaço físico e de gastos financeiros acrescidos. E não eram apenas os estudantes que tinham de se deslocar, os professores da área vocacional de música habitantes de Palmela também não tinham um conservatório para poderem ensinar e em vez de se dedicarem ao desenvolvimento musical na sua cidade faziam-no, obrigatoriamente, noutra região.

O conservatório é ainda recente e só este ano é que teve apoio financeiro do Ministério da Educação, apoio este, que quase todas as escola tinham e, que é fundamental para que as propinas sejam acessíveis. Com este apoio a frequência do conservatório é gratuita para todos os alunos que estão inscritos no regime articulado e as propinas reduziram significativamente para um grande número de alunos que se matricularam em regime supletivo ou nos cursos de iniciação, isto porque é um conservatório reconhecido pelo Ministério da Educação ou seja com paralelismo pedagógico, condição para se poder candidatar aos apoios que referi.

O conservatório tem também a responsabilidade pedagógica por dois outros projectos fundamentais que são: as aulas de música para os alunos do pré-escolar (que é um protocolo que temos com a Câmara Municipal de Palmela) e as aulas de música nas actividades de enriquecimento curricular do 1º Ciclo do Ensino Básico (protocolo com o Agrupamento vertical de Escolas de Palmela). O conservatório proporciona desta forma às crianças de Palmela a aprendizagem musical dentro de uma estrutura organizada e com um ensino vocacional especializado. Um ensino de qualidade, onde são detectadas e orientadas vocações numa idade adequada a uma aprendizagem musical e instrumental com sucesso.

Como vê a Humanitária e a nossa escola no futuro?
A existência do conservatório numa colectividade como esta, que promove o desenvolvimento de actividades musicais amadoras, é um “casamento” que tem tudo para dar certo. Os jovens não só aprendem música desde o pré-escolar, como têm oportunidade de integrar, quer ao longo, quer após a conclusão dos seus estudos, curso secundário, os diversos grupos musicais aqui desenvolvidos. Neste momento temos a Banda e o Coro mas futuramente poderemos ter um coro infantil (já a ser pensado), uma orquestra de cordas, um grupo de ópera, diversos grupos de câmara, etc., etc., que poderão funcionar a nível amador ou mesmo semi-profissional. Acredito que, com o número crescente de alunos e a forma equilibrada como se prevê que este crescimento aconteça, ou seja, distribuído por diversos instrumentos que proporcionem a criação e manutenção dos agrupamentos musicais que referi, poderemos ter uma instituição musical para toda a vida, em que cada pessoa terá um espaço para poder usufruir a prática musical da forma que melhor lhe convier.

E que melhor maneira de acabar esta entrevista do que ver (ou rever) a Ana a tocar na festa do nosso piano?


Cumprimentos a todos e até uma próxima oportunidade, João Camacho.

1 comentário:

pedro disse...

Sem dúvida uma entrevista que se pretendia para a abertura do bHumlog.
Parabéns